Congresso Fora do Eixo dá um F5 nos coletivos e mobiliza a galera

Pode parecer estranho discutir com profundidade política pública, mobilização comunitária, arte digital e outros assuntos cabeludos abusando de um vocabulário repleto de gírias pós-adolescência. Mas na quarta edição Congresso Fora do Eixo, que aconteceu semana passada, ouvir um único sujeito dissertar sobre a garantia das liberdades individuais no marco civil da internet usando expressões como tipo assim, as parada e sacou? (pra ficar nas que eu conheço) é a coisa mais comum do mundo.

Estivemos por lá como observadores por um dia e meio. Pouco tempo num evento que começou num sábado e terminou apenas no outro domingo. Mas o suficiente para respirar um pouco da atmosfera que cerca o movimento cultural que nos últimos anos tem gerado interesse de muita gente influente de dentro e fora do eixo.

Antes de entrar nos detalhes do que acontecera por lá, cabe uma breve explicação do que é e como funciona o tal Circuito Fora do Eixo. O movimento teve início a partir do encontro de produtores de festivais de música independente de Uberlândia, Cuiabá e Rio Branco, que começaram a estruturar uma espécie arranjo solidário em que, para tocar numa cidade, as bandas trocariam gentilezas como hospedar e ser hospedado nas casas uns dos outros, reduzindo custos e ampliando as possibilidades de intercâmbio.

A coisa ganhou dimensões enormes se levada em conta a ideia original. Foram criados bancos solidários, onde se emitiam moedas de troca para mediar o escambo entre casas de shows, prestadores de serviços, estúdios de gravação e artistas. Hoje, os coletivos (associações formais ou informais que reúnem bandas e produtores) formadores da rede se distribuem por todos os estados brasileiros e alguns países latino-americanos.

Por mais descentralizado que se proponha e ao contrário do que pode sugerir a expressão que dá nome à iniciativa, o movimento tem sede em São Paulo, na Casa Fora do Eixo, que abriga algumas das principais cabeças da rede e onde os coletivos se mobilizam, debatem política e, de vez em quando, até tocam música. E a capital paulista foi justamente a sede deste quarto congresso, com a maioria das discussões centralizadas no campus da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo se comentava no local dos debates, o congresso trabalhava com o conceito de não-grade. Do ponto de vista prático, isso é o que pode se chamar de não-prático. É que os grupos de debate ou mini-conferências se espalhavam pelo amplo subsolo do Paço das Artes, onde rodas de conversa não eram identificadas. Você chegava por ali e ouvia cada uma até descobrir de qual queria participar. É uma forma de organização que aposta na espontaneidade dos presentes, mas que pouco preza pela facilidade de quem está um pouco perdido, como era meu caso.

Circulando por ali, acompanhavam ou conduziam as rodas de conversa pessoas tarimbadas, conhecidas no meio cultural e formadoras de opinião, que se destacavam da maioria hippie/nerd pelo vestuário mais almofadinha ou pelos cabelos brancos, coisa rara no local. Eram pessoas como Célio Turino, Cláudio Prado, Sérgio Amadeu e Ivana Bentes, que participaram de projetos importantes, sobretudo envolvendo a rede de Pontos de Cultura, menina dos olhos da gestão Gil/Juca no Ministério da Cultura e de rumos ainda desconhecidos depois da posse de Dilma Rousseff na presidência.

A primeira roda de conversa que acompanhei era conduzida pelo produtor cultural Cláudio Prado, que puxava dos presentes informações sobre ocupação de espaços públicos pelos artistas. “É errado dizer que é preciso tirar as crianças da rua”, filosofava. A propósito do que se discutia, comentei sobre o abandono dos espaços ferroviários, no que Cláudio insistiu sobre a importância de se ocupar prédios abandonados para fins culturais, mesmo que para isso não se obedeça à lei. O exemplo dado foi o da Universidade de Música Popular Bituca, de Barbacena, que nasceu a partir da ocupação de uma fábrica abandonada.

A conversa se prolongou com a discussão sobre a recente mercantilização do carnaval de rua do Rio de Janeiro, a ineficiência de conselhos municipais de cultura em cidades do interior e as prefeituras que promovem como política cultural apenas a realização de grandes shows gratuitos à comunidade.

Em seguida, seguimos para uma oficina prática de WordPress, software livre de gestão de blogs, ministrada pelo programador Leo Germani, da empresa HackLab. Germani é um cara interessante, desenvolvedor de plugins para WordPress, que trouxe poucas mas muito significativas novidades ao que já sei sobre o programa usado para gestão desta rede de blogs.

Posso dizer que chega a ser engraçado ver o Fora do Eixo envolver software livre nas discussões. A reflexão crítica recente indica que o modelo de produção colaborativa do software livre pode ser aplicável no mercado da cultura como alternativa ao tão combatido modelo industrial. Foi essa consciência que levou a Cultura Digital a conquistar amplo espaço nas políticas culturais do governo Lula e, provavelmente, que levou o Circuito a se aproximar desse debate.

Porém, na prática, o apoio ao software livre parece estar só no gogó. A coisa mais comum por ali era ver a turma abrindo notebooks (e eram muitos, mas muitos mesmo) da Apple, a empresa norte-americana símbolo da indústria cultural do software, fetiche de usuários moderninhos e nem um pouco adepta de ideias libertárias.

Contradições à parte (todos os movimentos sociais tem as suas), o Congresso sediou um interessante seminário sobre música brasileira. No pouco que observei, posso destacar o músico e pesquisador DJ Tudo comentando sobre o fato de, segundo ele, 97% da música brasileira estarem fora de todos os circuitos, sejam comerciais ou independentes, e estarem espalhados pelas vozes e instrumentos de repentistas, congadeiros, benzedeiras, folieiros e tantos outros representantes da cultura popular.

À noite um interessante debate sobre a construção da hidrelétrica de Belo Monte reuniu o diretor do documentário Belo Monte – O Anúncio de uma Guerra,  André Vilela D’Elia, e o blogueiro Leonardo Sakamoto, dentre outros que sinceramente não consegui identificar. O que mais pude tirar de proveitoso da discussão foi a percepção de que o argumento central contra a construção da megausina não é o do alagamento da floresta ou do deslocamento de comunidades indígenas.

O ponto central em debate é o impacto socioeconômico de uma obra que se sustenta num modelo de desenvolvimento dos anos 1970, o mesmo que durante a ditadura militar rendeu ao Brasil os faraônicos Itaipu e Transamazônica. Superficialmente falando, os debatedores sustentaram (e o argumento faz todo sentido) que o aumento da violência, da precariedade das condições de moradia e de cidadania das cidades próximas à obra não compensam os benefícios produzidos pela construção.

O Circuito Fora do Eixo é, hoje, a mais interessante iniciativa de mobilização na área da cultura. A visibilidade do movimento é, hoje, muito grande, o que traz também muitas críticas sobre o processo. Dentre elas, a adesão a grandes empresas, como a Vale, patrocinadora do Congresso, para o financiamento de projetos dos coletivos. Também se critica por aí uma espécie de autoidolatria do grupo, que por vezes se dá o título de rede das redes e prega a todos um espírito revolucionário do qual muitos desconfiam. A verdade é que a iniciativa tem muito mais a acrescentar do que a subtrair no atual panorama cultural, goste-se ou não do que é dito ou praticado lá dentro. Tirar as pessoas da inércia não é fácil, e o que a turma do Capilé tem conseguido convencer muita gente a dar um F5 nos próprios conceitos.

Turismo em Cuba: roteiros, dicas e informações (1)

À primeira vista, fazer turismo em Cuba pode parecer uma coisa de comunista ou de alternativos. Mas quem visitar o único país socialista das Américas pode mudar a visão americanizada e estigmatizada que se tem da ilha dos irmãos Fidel e Raul. A maior ilha do Caribe é, hoje, um lugar que mistura o moderno e o tradicional, que agrega simplicidade e elegância. A visita a Cuba não será propriamente uma experiência comunista, como vocês verão nos próximos posts.

Estive em Cuba por uma semana, em lua de mel. A viagem é rara entre brasileiros, o que foi muito fácil de perceber logo que pegamos a conexão Panamá – Havana: estávamos cercados de chilenos, uruguaios e, principalmente, argentinos, quase todos casais também celebrando as bodas. Optamos pelo pacote tradicional: três dias na capital Havana e quatro no balneário de Varadero. Com exceção da CVC, que é norte-americana, provavelmente qualquer agẽncia de turismo brasileira tem pacotes para Cuba.

Antes de falar sobre a viagem em si, vamos tratar um pouco da preparação. Com pelo menos um mês de antecedência, a melhor compra é o guia visual da Publifolha. Embora não seja lá tão barato (custa quase 100 reais), é muito completo e dedica várias páginas a cada bairro de Havana e às principais cidades do interior, além da história do País, dicas de hospedagem, alimentação, transporte e comportamento. Dependendo da livraria em que você comprá-lo, poderá vir de brinde um pequeno guia exclusivo de Havana, editado como brindes para assinantes da Folha. Não se dê o trabalho de lê-lo. Prefira usá-lo como peso de papel, calço de pé de mesa ou acendedor de fogão a lenha, pois é uma porcaria.

Outra dica que acho importante na preparação (serve para qualquer viagem) é adquirir um celular com Android e GPS integrado. Este tipo de aparelho já não é mais tão caro, com cerca de R$ 300 é possível adquirir um modelo básico da LG ou Samsung. Com um brinquedinho desses no bolso, você pode se deslocar para Havana tranquilamente usando o Google Maps. O aplicativo permite que você salve o mapa da cidade para uso offline. Assim, com o guia na mochila e o celular na mão, você identifica com imensa facilidade o local onde se encontra e a distância que está de cada uma das atrações, deslocando-se com facilidade pelas ruas, principalmente a pé.

A viagem a Cuba é feita por conexão com o Panamá, em voo da Copa. Até o Panamá, os companheiros de avião serão turistas com destino a Miami, Nova York, Cancún e outros lugares da América do Norte. Assim que entrar no voo para Havana, ninguém mais falará português. Provavelmente nenhum brasileiro terá dificuldade de se comunicar. Basta pedir a atendentes, mensageiros, comissários, taxistas, vendedores ou quem quer que seja que fale pausadamente. 80% do idioma será plenamente compreendido. Os outros 20% incompreensíveis são completamente desnecessários ou exatamente ao contrário: informações fundamentais como horários ou pontos de encontro. Por isso, é bom ficar ligado para não se perder nem perder dinheiro.

Por falar em dinheiro, uma recomendação é importante. Para trocar dinheiro em Cuba, prefira levar euros ao invés de dólar. É que a moeda americana tem uma sobretaxa de 10% nas casas de câmbio. Os guichês de troca de moeda ficam nos aeroportos ou no centro de Havana, em estabelecimentos oficiais conhecidos como Cadeca. Nos hoteis a troca também é fácil e garante comodidade, apesar de uma pequena taxa, de cerca de 1%. Pela facilidade, acredito que valha a pena. A moeda cubana é o peso, que tem dois tipos: o peso nacional, exclusivo dos cubanos residentes, e o conversível (CUC), usado pelos turistas. Numa conta rápida, superficial e sem levar em consideração flutuações diárias, é possível calcular 1 CUC por 2 reais.

Nossa chegada em Havana teve suas coincidências. Enquanto imaginávamos ouvir de cara uma legítima música caribenha, fomos pegos de surpresa com um Chora, Me Liga saído do toque de celular de um cubano que estava atrás de nós na fila de imigração e aprendeu a gostar de sertanejo universitário pelas novelas do Globo que passam por lá. Chegando no hotel, a tevê do lobby transmitia o amistoso Brasil e Egito, do futebol. E, quando a fome bateu, resolvemos experimentar a comida cubana, mas o restaurante que encontramos chamava-se Sabor do Brasil, servia churrasco e outras especialidades tupiniquins, e tinha uma bandeira do Coritiba hasteada ao lado da entrada da cozinha. O garçom nos informou que o antigo gerente do local era um brasileiro, por isso o nome e o cardápio eram tão familiares.

Havana tem muitas opções de hotéis. Alguns são 100% estatais, como o Capri, o Nacional e o Ambos Mundos. Em sua maioria, foram construídos por mafiosos italianos e norte-americanos antes da Revolução. Cuba, aliás, era um enorme antro de jogatina, drogas, lavagem de dinheiro e prostituição antes da tomada do poder pelo grupo de Fidel, o que não é de se duvidar dada a imponência dos prédios das décadas de 30, 40 e 50. Uma outra leva de hotéis foi erguida depois da crise dos anos 90, conhecida como Período Especial. Com a queda da União Soviética e a consequente perda de parceiros comerciais, o governo cubano adotou o turismo como fonte de renda e convidou redes de hotéis para se associar à administração estatal, numa relação de 51% para o Estado e 49% para os investidores. Grandes redes hoteleiras europeias toparam a empreitada e são sócios de Cuba com hotéis cinco estrelas para turistas e diplomatas.

A capital cubana é uma metrópole de pouco mais de 2 milhões de habitantes. O bairro histórico, tombado como patrimônio cultural da humanidade fica ao leste. As ruas estreitas e casas em estilo colonial, com sacadas voltadas para as ruas onde os moradores secam as roupas ao sol. É engraçado perceber que os cubanos não são retraídos como os brasileiros e deixam a porta e as janelas de casa abertas. Qualquer um pode tranquilamente bisbilhotar o comportamento dos moradores da rua. Várias construções não são bem conservadas, embora esteja em curso um grande esforço de restauração.

Algumas casas abrigam galerias de arte de pintores independentes, sobretudo na rua Empedrado, que liga o Museu da Revolução à Praça da Catedral. Ali você encontra obras abstratas e muito bonitas, pintadas em tela com tinta acrílica, que podem ser enroladas e trazidas na bagagem. Existem também algumas galerias de souvenirs, com quadros que retratam ambientes folclóricos e estereotipados de Havana: charutarias, bares, ruas de Havana antiga e dançarinas de salsa. Estes últimos não fazem meu estilo.

Caminhando pelo centro de Havana, você será abordado por diversos cubanos que te vão te oferecer charutos, rum ou passeios. O assédio é grande e constante. Muito provavelmente você será abordado por pessoas ou casais jovens, simpáticos e bons de prosa, que, ao descobrirem que você é brasileiro, dirão coisas superficiais sobre futebol ou novelas. Confesso que caímos na conversa de um casal desse naipe. Eles são o que se pode chamar de malandros, não são mal intencionados, mas querem te agradar o tempo todo para levar alguns dólares de propina.

O casal que nos “recepcionou” no primeiro dia em Havana nos abordou assim que descemos do ônibus Havana Tour, que circula pelos hotéis e pega os turistas para um passeio pela cidade ao custo de 5 CUCs. O tíquete do ônibus vale pelo dia inteiro, por quantas vezes o visitante quiser. Lázaro e Elza são moradores de Havana e nos abordaram freneticamente em frente ao Teatro Nacional, acabando por nos levar a um bar onde vendia-se um mojito muito gostoso, mas ao custo de 6 CUCs (provavelmente o mais caro da ilha). Ofereceram-nos charutos, primeiro por 80 e depois por 50 CUCs, mas recusamos (descobrimos depois que oferecer charuto a turistas é uma prática corriqueira de vários cubanos). Escreveram num guardanapo nomes de vários pontos turísticos e eventos da capital cubana.

Depois de um papo alegre e divertido e vendo que não conseguiriam nos vender nada, começaram com o drama sobre o embargo, a dificuldade de se viver com tíquetes de alimentação, etc. Para nos liberarmos e poder curtir a cidade mais à vontade, deixamos alguns CUCs e a partir dali combinamos que seríamos alemães que não falam uma palavra de espanhol, evitando assim o assédio dos demais vendedores de charutos ambulantes.

O passeio em Havana antiga revela boas surpresas em museus, casarões históricos e igrejas, mas dos quais irei dizer no post da semana que vem. Acompanhem.

Programação Mosca 6 1/2 em Três Corações

Programação

QUA, 07/09

19h30 – Sessão Jovem

classificação livre

TUDO QUE É SÓLIDO PODE DERRETER, de Rafael Gomes, 2005, 16′, fic, SP

Aos 15 anos, Débora compartilha com Hamlet as dores e dúvidas da adolescência.

UM LUGAR COMUM, de Jonas Brandão, 2009, 10′, ani, SP

A extrovertida Marina e o desajeitado Zezé se conhecem e juntos plantam uma bela árvore, que se torna o símbolo de sua amizade. O filme acompanha o crescimento das crianças e seus desencontros neste mesmo lugar comum.

MODERNA IDADE, de Marcelo Carvalho Marques (Oficinas Kinoforum), 2009, 9′, doc, SP

Senhores e senhoras com juventude acumulada estão conectados virtualmente, mostrando sempre que é tempo de aprender, conhecer e adaptar-se às novas tecnologias.

KAHEHIJÜ ÜGÜHÜTU, O MANEJO DA CÂMERA, do Coletivo Kuikuro de Cinema, 2007, 17′, doc, MT

O cacique Afukaká, dos índios Kuikuro no Alto Xingu, conta a sua preocupação com as mudanças culturais da sua aldeia e seu plano de registro das tradições do seu povo, e os jovens cineastas indígenas narram as suas experiências nesse trabalho.

ESPORTE EM MARCHA

Cine jornal dos Jogos Abertos de Cambuquira de 1948/49. Restaurado e digitalizado (2009) por Johnny e Marco Antonio Resende de Oliveira. Exibição de 2 episódios. 5′, doc, Cambuquira/MG.

RUA DAS TULIPAS, de Alê Camargo, 2007, 10′, ani, DF

Um grande inventor acostumado a criar soluções para todos os moradores de sua rua, após ver a felicidade de todos seus vizinhos, descobre que ainda faltava a felicidade de uma pessoa.

QII, 08/09

19h30 – Sesssão de curtas

classificação 16 anos

HIATO, de Vladimir Seixas, 2008, 20′, doc, RJ

Em agosto de 2000 um grupo de manifestantes organizou uma ocupação em um grande shopping da zona sul da cidade do Rio de Janeiro.

O ASSASSINO DO BEM, de Hiro Ishikawa e Thiago Pedroso, 2010, 13′, fic, SP

Se ele te matou, é porque você é chato!

ESPETO, de Guilherme Marback e Sara Silveira, 2006, 16′, fic, SP

Espeto é uma comédia de humor negro, que conta a história de um garçom capaz de fazer qualquer coisa para subir na vida. O seu grande sonho é servir picanha, a mais nobre das carnes. Por enquanto, ele serve lingüiça. Para atingir seu objetivo, ele será capaz de cometer crimes com requintes de crueldade.

BALANÇOS E MILKSHAKES, de Erick Ricco e Fernando Mendes, 2010, 9’55”, ani, MG

Um amor vivido por duas crianças é lembrado por um narrador.

DOSSIÊ RÊ BORDOSA, de César Cabral, 16′, 2008, ani/doc, SP

Fama? Ego inflado? Espírito de porco? Quais os reais motivos que levaram Angeli a matar Rê Bordosa, sua mais famosa criação?

A ÚLTIMA DO AMIGO DA ONÇA, de Terêncio Porto, 2005, 18′, fic, RJ

Encontro do cartunista Péricles de Andrade Maranhão com sua criatura, o Amigo da Onça, no último dia do ano de 1961.

SEX, 09/09

19h30 – Sessão de curtas

classificação livre

BOCA NO LIXO, de Lígia Benevides e Marcela Borela, 2007, 20′, doc, GO

Um recorte sobre a questão do lixo na visão daqueles que trabalham diretamente com este subproduto da humanidade.

FABULÁRIO GERAL DE UM DELÍRIO CURITIBANO, de Juliana Sanson, 2007, 16′, fic, PR

Mulher acorda com uma frase que se repete obsessivamente em sua cabeça e, angustiada, decide sair de casa e se distrair. Num esforço de se livrar da tal frase, faz reflexões que deixam transparecer, além de seu estado de espírito, algumas características da cidade em que vive.

A VINGANÇA DO NINJA 2, de Leonardo de Andrade, 2006, 19’50”, fic, SP

De posse de Ratchatchara, o terrível Dark Ninja liberta o antigo líder do Clã Escorpião Maligno! Poderá Capitão John Russel e seu parceiro Machadinha deter o terrível vilão?

NA COMPANHIA DE CARONTE, de Alexandre Felix e Delson Robson, 2006, 8′, exp, Cambuquira/MG

No caminho entre a última vida e o inferno, a personagem se depara com os traumas e conflitos da sua vida passada.

SATORI USO, de Rodrigo Grota, 2007, 17’45”, fic, PR

Um poeta das sombras, um cineasta sem filmes e uma musa enigmática. Um “documentário” sobre um poeta que nunca existiu apresentado por um cineasta imaginário.

MEU NOME É PAULO LEMINSKI, de Cezar Migliorim, 2004, 04’30”, exp, RJ

Embate entre pai e filho em torno de poesia de Paulo Leminski. Tudo o que eu faço, alguém em mim que eu desprezo sempre acha o máximo, mal rabisco, não dá mais para mudar nada, já é um clássico.

SÁB, 10/09

19h – Sessão de curtas

classificação livre

O HOMEM DA ÁRVORE, de Paula Mercedes, 2006, 19′, doc, DF/SP

Ex-presidiário e evangélico, Mário instalou sua moradia no alto de uma árvore em Brasília, de onde se avistam o Palácio do Planalto e vários ministérios. Ali, ele busca provar sua inocência enquanto sobrevive catando latinhas nos lixos das embaixadas.

HOMEOSTASE, de Gabriel Lemes de Souza, 2008, 21′, exp, Cambuquira/MG

O jovem Pedro sai pelo mundo à procura de um sentido para sua vida. Sem esperar, defronta com o passado. Acaba se vendo obrigado a entender aquilo que não havia compreendido antes! Uma bela viagem pelas simples delícias da vida!

ENGANO, de Cavi Borges, 2008, 12′, fic, RJ

Um homem. Uma mulher. Uma cidade. Dois planos-seqüência.

DOS RESTOS E DAS SOLIDÕES, de Petrus Cariry, 2006, 13′, doc, CE

No meio da caatinga profunda de Inhamuns, a terra mais seca e pobre do Ceará, vagando entre as ruínas e as sombras, vive Dona Laura, com seus 70 anos, remoendo memórias e dores. O presente é desolação e decadência; o passado é uma lembrança.

TYGER, de Guilherme Marcondes, 2006, 04’30”, ani, SP

Um enorme tigre aparece misteriosamente numa grande cidade. Ele vai revelar a realidade escondida numa noite que poderia ter sido como qualquer outra.

CLAIRELUMIÈRE, de Carolina Gonçalves, 2003, 11′, fic, França

Clara é surda. Ou melhor, tem um jeito particular de perceber os sons. A descoberta do amor vai fazer com que ela mergulhe em suas lembranças e descubra sua música interior.

O ANÃO QUE VIROU GIGANTE, de Marão, 2008, 10′, ani, RJ

A improvável – todavia autêntica – história do anão que virou gigante.

21h – Sessão de curtas

classificação 14 anos

DE VOLTA A TERRA BOA, de Mari Corrêa e Vincent Carelli, 2008, 15′, doc,

Homens e mulheres Panará narram a trajetória de desterro e reencontro de seu povo com seu território original, desde o primeiro contato com o homem branco, em 1973, passando pelo exílio no Parque do Xingu, até a luta e reconquista da posse de suas terras.

EM UMA TARDE DE ABRIL EM CAMBUQUIRA, de Alexandre Felix, 2009, 5’20”, exp, Cambuquira/MG

Um olhar sobre a cidade de Cambuquira. Exaltação da beleza local em contraste com o marasmo e a falta de iniciativa dos moradores em relação à situação crítica desta cidadezinha nostálgica.

CODA, de Marcos Camargo, 2008, 8′, ani, SP

Três bailarinas estão chegando em suas casas. Sozinhas com seus próprios delírios… ou seriam suas verdades fantasiadas?

AVÓS, de Michael Wahrmann, 2009, 12′, fic, SP

No seu décimo aniversário, Leo descobre que Mônica Lewinsky é judia, que Clinton é o presidente da América, que os números nos braços dos avós são os responsáveis por ele ser gordinho e que a câmera Super 8 que ganhou do seu avô não serve para mais nada.

ALGUMA COISA ASSIM, de Esmir Filho, 2006, 15′, fic, SP

Caio e Mari, dois adolescentes, saem à noite pelas ruas de São Paulo em busca de diversão. Entre sons e silêncios, descobrem mais sobre si mesmos.

MEU AMIGO GIRASSOL, de Claudia Cortez e Diogo Fernandes, 2002, 8′, fic, SP

Garoto, ao encontrar sua mãe sendo espancada pelo pai, deposita toda sua esperança em salvar sua mãe em uma amizade incomum.

ALÔ, TOCAYO, de Lula Carvalho e Renato Martins, 2007, 22′, doc, Cuba

Curta-metragem feito na cidade de Havana, Cuba. São as impressões sobre tudo aquilo que foi visto, e principalmente sentido durante os oito dias vividos na ilha. A narrativa se dá através de uma mãe cubana, Mirian Torres, que apresenta a sua família e a sua história de vida, e nos convida a uma reflexão sobre o mundo que vivemos hoje.

Entrada Franca!

Fique por dentro das itinerâncias da MOSCA 6 ½

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Realização: Espaço Cultural Sinhá Prado | Mostra Audiovisual de Cambuquira-MG

Parceria: Viraminas Associação Cultural | Museu da Oralidade

Casa cheia nas atividades da Viraminas

 

Exibição de filme de George Melies

Julho foi movimentado nas atividades do Museu da Oralidade, o Ponto de Cultura da Viraminas. Cultura popular, cinema, internet, música e poesia tiveram espaço na programação do espaço. A primeira atividade foi a estreia do documentário Terra de Reis, de Patrick Moysés. A mostra contou com a presença de integrantes da Liga Tricordiana das Folias de Reis e outros interessados.

O mês teve também a primeira edição do Sarau no Quintal, com destaque para apresentações dos poetas Paulo de Barros e Danielle Terra, do ator Ueliton Marcos e do recém-formado grupo de samba Angu de Caroço. O evento foi marcado pelo tom descontraído das apresentações, sobretudo nos versos de desafio comandados pelos folieiros Jaime Darcy e Adair Lourenço, do grupo de Folia de Reis Tira Couro. A segunda edição do sarau acontece dia 1º de setembro.

O quintal do Ponto de Cultura recebeu também uma oficina de teatro, ministrada pelo ator Nilton Haribol, que dubla personagens do programa Dango Balango, da Rede Minas. Foram ensinadas técnicas de improviso e de criação de personagens.

O cinema ficou marcado com a mostra O Homem na Lua, que exibiu dois filmes do cineasta francês Georges Meliès. A apresentação contou com debate sobre os rumos do cinema de ficção científica e sobre os primórdios da sétima arte. Na última quinta-feira, um grupo de músicos, escritores e atores participou da oficina de criação de blogs do Museu da Oralidade. Eles aprenderam a criar um diário virtual na rede de blogs da Viraminas.

Programação de agosto

A programação será intensa também no mês de agosto. Todos os eventos acontecem às quintas-feiras, às 19h30, com entrada gratuita. A primeira atividade, no dia 4, é a sessão do cineclube, com dois curtas-metragens do cineasta gaúcho Jorge Furtado: O Dia em que Dorival Enfrentou a Guarda (1986) e Barbosa (1988). O primeiro retrata a situação carcerária no Brasil, enquanto o segundo aborda a trágica derrota da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo de 1950.

No dia 11, tem bate-papo ao pé do fogão de lenha com o músico e memorialista tricordiano Victor Cunha. Além de contar histórias antigas da cidade, ele apresentará parte de seu acervo de fotografias antigas. Na semana seguinte, dia 18, haverá estreia da exposição sobre a memória oral dos ferroviários de Três Corações e o lançamento da segunda edição da Ora!, a revista do Museu da Oralidade.

Na última quinta do mês, dia 18, haverá debate Economia Solidária do Rock, sobre o mercado de música independente. Serão apresentadas alternativas de criação, divulgação e distribuição de conteúdo na internet, com exemplos de projetos bem-sucedidos, como o Circuito Fora do Eixo.

Nas terças-feiras, o espaço será ocupado pela Oficina Prática de Elaboração de Projetos Culturais. Agentes e profissionais da cultura irão aprender técnicas e estratégias para inscrever projetos em editais governamentais e solicitar patrocínio de empresas. As aulas começam no dia 9 e terminam no dia 30, sendo quatro encontros ao todo. A participação é gratuita e as inscrições devem ser feitas pelo e-mail contato@viraminas.org.br.

Biblioteca comunitária

A Viraminas aprovou no Fundo Estadual de Cultura, do Governo de Minas, o projeto de criação e manutenção de uma biblioteca comunitária. O novo espaço funcionará na sede do Ponto de Cultura e contará com empréstimo de livros, espaço para leitura e sala de vídeo. A proposta contempla ainda um curso para interessados em montar espaços de leitura voltados para a comunidade. A novidade deverá ser aberta ao público em fevereiro de 2012.

Cinema indígena e debate no Forumdoc.mg de Cambuquira

O diretor huni-kui Zezinho Yube

O diretor huni-kui Zezinho Yube

O fim de semana reservou pelo menos uma boa opção para quem quis fugir do óbvio no Sul de Minas. Em Cambuquira, aconteceu a itinerância do Forumdoc.mg, a 4ª Mostra do Filme Documentário e Etnográfico, evento promovido pela Associação Filmes de Quintal, de Belo Horizonte. Como o nome sugere, trata-se de exibições de filmes que retratam o cotidiano de pessoas e lugares, suas formas de agir, pensar e ver o mundo.

Tivemos a oportunidade de assistir dois filmes. O primeiro, exibido na sexta-feira, foi Kene Yuxí, as Voltas do Kene, de Zezinho Yube. É uma obra do projeto Vídeo nas Aldeias, em que o diretor, da etnia huni-kui, do Acre, mostra-se preocupado com a perda das tradições de sua aldeia. Uma das mais marcantes formas de expressão do grupo são as formas presentes em pinturas e tecidos conhecidos como kene. Herança das mais antigas gerações, os desenhos tem nomes e significados que estão se perdendo pelo desinteresse de crianças e jovens em aprendê-los.

Por outro lado, índios de outras etnias se apropriaram das técnicas do kene para vender artesanato a turistas, independente de a tradição ter origem em outro grupo étnico. A mercantilização pura e simples da arte tradicional acaba colocando em risco a memória e o conhecimento que fazem parte da técnica. Yube, então, visita as três tribos huni-kui do Acre em busca da tradição oral que dá significado aos desenhos, em busca de um registre que torne o conhecimento permanente.

Este não é o primeiro trabalho do projeto Vídeo nas Aldeias com o qual temos contato. Recente apresentamos A Iniciação do Jovem Xavante no lançamento do Museu da Oralidade. É interessante notar que os índios cineastas colocam uma identidade própria na narrativa de suas obras. Desevolvem um trabalho autoral, em que revelam o tempo todo o interesse por trás da realização daquele filme. O diretor Zezinho Yube, por exemplo, aparece por duas ou três vezes no próprio filme, debatendo com outros índios e tentando convencê-los da importância do registro que está sendo feito.

Tudo isso revela que a ideia de índios filmando índios vai além da proposta comum de um diretor passivo, que apenas registra os fatos que vê pela frente. O autor propõe a transformação da sua realidade e deixa isso evidente em toda a obra. Isso fica ainda mais claro quando o filme mostra a presença da Assembleia de Deus em uma das tribos e a conversa entre o pastor indígena e o diretor, que pedia autorização para gravar um culto. É estranho e até mesmo constrangedor ver índios cultuando Jesus com o fervor típico das igrejas evangélicas. Como foi debatido após a exibição do filme, não se trata de deslegitimar a igreja, mas sim de questionar se a estratégia de incentivar índios jovens a negarem com veemência as tradições de sua tribo é adequada.

A presença da Assembleia de Deus em meio aos huni-kui não é o tema central do filme de Zezinho Yube, mas acabou sendo o que mais gerou discussão. Às vezes parece que o Brasil ainda repete erros de um passado distante, quando Couto de Magalhães, autor de O Selvagem, dizia sem nenhuma cerimônia que era papel do Estado brasileiro domesticar os índios selvagens para garantir a presença de Deus em nossa terra.

Porém, também foi discutido que as tradições podem perfeitamente conviver com as novidades. O exemplo maior disso está na própria produção audiovisual indígena. Não fosse o contato com o homem branco, o vídeo, ferramenta indispensável de sensibilização e mobilização nos dias de hoje, jamais teria chegado às mãos de jovens huni-kui. O audiovisual é a presença do moderno trabalhando pela preservação da tradição. A ideia de que o tradicional e o moderno se excluem é falsa: ambos podem viver em harmonia e se apoiarem para transformar a realidade para melhor. A discussão sobre o filme contou com a coordenação da pesquisadora Milene Migliano, da Associação Filmes de Quintal.

Cena de Zanzibar Musical Club

O segundo filme que assistimos foi Zanzibar Musical Club, dos diretores franceses Philippe Gasnier e Patrice Nezan. A obra mostra a vida de homens e mulheres que moram na ilha de Zanzibar, leste da África, na costa da Tanzânia, e fazem parte de um numero grupo musical. O que mais chama à atenção neste filme é a beleza das imagens, que mostram o dia a dia pacato da comunidade. Interessante notar que a forte presença muçulmana no lugar e a distância constante de homens e mulheres.

Também merecem destaque as letras entoadas pelo grupo musical, um tanto ingênuas se comparadas com sucessos mercadológicos do momento. As composições tratam de mulheres defloradas por homens desonestos e senhoras fofoqueiras que futricam sobre a vida alheia, dentre outros temas semelhantes. Isso, no entanto, não tira a beleza das melodias, cantadas sempre pelas mulheres, nem a curiosidade em torno dos instrumentos, tocados pelos homens da banda. Fica evidente também a resistência do grupo em manter a identidade pela música diante do crescente turismo e comércio na ilha.

A sessão do Forumdoc.mg de Cambuquira aconteceu no espaço Cine Elite, recentemente recuperado e onde acontece a Mosca – a Mostra de Cinema de Cambuquira. Em 2010, acontece a sexta edição do festival. Este ano, não haverá mostra competitiva como nos últimos seis anos. A Mosca também será itinerante e ganhou o apelido de Mosca 6 ½. A produção do evento é da Ananda Guimarães, que tem trabalhado constantemente para manter vivo o circuito audiovisual na região.

Viraminas tem programação variada em julho

Cena clássica de Viagem à Lua (1902), de Meliès

Música, documentário, poesia, tradição oral. O mês de julho tem atividades para todos os gostos no Museu da Oralidade, o Ponto de Cultura da Viraminas. Logo na primeira semana do mês, o espaço exibe o filme Terra de Reis, dirigido por Patrick Moysés. A exibição acontece no dia 7, quinta-feira, às 19h30, com entrada franca. O diretor acompanhou quatro companhias de folia de reis nas ruas de Três Corações, durante as festividades de dezembro e janeiro. O filme traz declarações de diversos folieiros, que narraram histórias pessoais e revelaram as motivações da fé nos três reis magos. Há também depoimentos de fiéis que acompanham e recebem com festa as folias em casa. O trabalho teve pesquisa de Danisa Chaves.

Na semana seguinte, também na quinta-feira (14), é a vez do Sarau no Quintal, evento que reunirá música e poesia em apresentações de Paulo de Barros, Ronildo Prudente, Mônica Furtado e Danielle Terra, dentre outros. O evento começa às 20h e tem ingresso no valor simbólico de R$ 2. Haverá transmissão pela internet. Para acompanhar, basta o usuário visitar o grupo da Viraminas na rede social Facebook.

Cartaz do filme Terra de Reis, de Patrick Moysés

No dia 21, terceira quinta-feira do mês, a atividade será em comemoração aos 32 anos da primeira viagem do homem à lua. Em homenagem aos cosmonautas, serão exibidos dois clássicos do cinema: Viagem à Lua (1902) e O Eclipse (1907), ambos do cineasta francês George Meliès. Gênio dos primórdios do cinema, Meliès é considerado o inventor dos efeitos especiais e foi o primeiro diretor a fantasiar situações surreais, como viagens interplanetárias, na telona. O primeiro filme mostra a aventura de cinco cientistas que enfrentam alienígenas numa visita ao satélite do planeta Terra. O segundo mostra a aventura de astrônomos observando o namoro do sol e da lua durante um eclipse.

Na quinta seguinte, dia 28, a atividade envolve cultura digital. Acontece a oficina de criação e manutenção de blogs, ministrada pelo jornalista Paulo Morais. Os participantes irão conhecer a rede Viraminas de blogs e ter contato com o software livre WordPress, que gerencia sites e blogs de diversos portais e é um dos mais utilizados no mundo. A atividade promove também uma discussão sobre os rumos da internet. A participação é gratuita e as inscrições podem ser feitas na sede do projeto.

A Viraminas fica no centro de Três Corações, na rua Padre José Bueno, 170, em frente à Escola Estadual Luiza Gomes. Além das oficinas, o Ponto de Cultura oferece acesso gratuito à internet para pesquisas e trabalhos escolares. O espaço fica aberto ao público de segunda a quinta-feira das 14h às 18h.

Quinta no Ponto

As atividades promovidas no Museu da Oralidade fazem parte do projeto Quinta no Ponto, que articula debates e encontros entre produtores, gestores, artistas e agentes culturais nas noites de quinta-feira. No mês de junho, a presença foi marcante em todas as reuniões. Artesãos e membros da Liga das Folias de Reis de Três Corações apareceram nas reuniões, que tiveram como conteúdo a discussão sobre a lei municipal de incentivo à cultura, a situação do patrimônio cultural tricordiano e as organizações do terceiro setor.

O Museu da Oralidade é um projeto da Viraminas Associação Cultural mantido com recursos do programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura e da Secretaria de Estado da Cultura. O projeto teve início em novembro de 2010 e reuniu o acervo de história oral registrado pelos pesquisadores da entidade em quatro anos de pesquisa pelo interior de Minas. O projeto agora se volta para novos levantamentos, como a memória dos ferroviários, que está sendo registrada pela equipe. Para conhecer o acervo, basta acessar o endereço www.museudaoralidade.org.br.

Com o livro digital em mãos

Revista Ora! nas versões eletrônica e impressa

Já há algum tempo venho querendo compartilhar algumas impressões sobre o e-reader comprado para o Ponto de Cultura. No entanto, são tantas novidades e tarefas para cumprir desde o começo das atividades que, às vezes, falta tempo para aproveitar as novidades do kit multimídia. Optamos pela compra de um leitor de livros digitais para termos contato com essa nova tecnologia, que deve tornar-se referência nos próximos anos e pode muito bem ser aproveitada tanto por projetos culturais quanto pela educação. As possibilidades de uso desse brinquedo podem mudar radicalmente os hábitos de leitura das pessoas. Uma política pública para esse tipo de tecnologia poderia muito bem ter impacto direto nos baixos índices de leitura do povo brasileiro. E, para embasar debates como esse é que decidimos por adquirir e experimentar o Positivo Alfa.

Para quem ainda não ouviu falar da tecnologia, que é recente, cabe antes uma explicação. Os leitores de livros eletrônicos, como o da Positivo, são diferentes de tablets, como o iPad. Enquanto o tablet é uma mistura de celular gigante com computador pequeno sem teclado e voltado para navegação na internet, os e-readers são voltados para longos períodos de leitura e, portanto, tem tela em tons de cinza e sem brilho. Com isso, as vistas não se cansam diante da tela, que precisa de iluminação externa para ser vista. A diferença é garantida pela tecnologia chamada e-ink (ou tinta eletrônica), criada justamente para este tipo de aparelho. Cabe lembrar ainda que, a despeito da marca estampada no aparelho, o Alfa não é um produto nacional. Trata-se de um aparelho encomendado pela fabricante brasileira a um fornecedor chinês, que o distribui também em outros mercados, como a Europa, por exemplo, com outras marcas.

Considerações feitas, vamos ao que interessa. Antes de ler qualquer coisa no aparelho é preciso, obviamente, baixar alguma coisa para ler. O formato ideal para a leitura no Alfa é o padrão epub, adotado pelos principais fabricantes de leitores digitais. Trata-se de um formato de código aberto e parecido com o HTML usado em páginas da internet. Ao contrário do PDF, que imita uma publicação impressa com páginas fechadas, o epub permite que o texto flua livremente pela tela do leitor. Isso garante ao texto mais flexibilidade, facilitando a vida do usuário e deixando o arquivo compatível com qualquer tamanho de aparelho.

Mas o Alfa lê também arquivos pdf, txt e html. Engraçado que, mesmo sendo o epub o formato ideal, a Positivo optou por lançar o manual do aparelho, incluído no produto, em PDF. Isso mostra que o formato ainda é um mistério e carece de diagramadores que o dominem. Não por acaso há muito poucos livros em epub disponíveis na praça. Para a primeira experiência com o aparelho, tentei encontrar alguns exemplares gratuitos, imaginando que talvez encontraria alguns autores de domínio público, como Machado de Assis, acessíveis. Nada feito. Depois de muito pesquisar, os primeiros livros eletrônicos para baixar de graça em epub são da turma do software livre, sem dúvida de outros curiosos pelo formato.

A primeira publicação encontrada é a revista Cyanzine, editada por Cárlisson Galdino. A edição baixada foi a 11.4 (não sei dizer o número da edição). Trata-se de um apanhado de textos publicados na blogosfera que tratam de temas como cultura digital, software livre, gestão cultural e internet. O autor completa a publicação com algumas poesias de autoria própria e também umas tirinhas nerds bem divertidas. Quem se interessa pelo tema pode baixar por minha conta.

Outra publicação recente que encontrei foi Laboratórios do Pós-Digital, de Felipe Fonseca. Trata dos mesmos temas da Cyanzine, mas com uma profundidade bem maior. Também é um apanhado de textos menores, porém todos do autor da obra, lançados entre 2009 e 2011. Pelo que conta, Fonseca faz parte de um grupo de ciberativistas como Hernani Dimantas e Claudio Prado, que influenciou o pensamento hacker dos últimos anos e culminou com a gestão inovadora de Gilberto Gil e Juca Ferreira no Ministério da Cultura. O mais interessante é a defesa aberta que faz da cultura digital como uma influência libertadora e a defesa que faz de que inclusão digital não se consegue apenas resolvendo o problema da infraestrutura, mas garantido que as pessoas pensem colaborativamente. O autor critica projetos que se dizem inspirados pela Pedagogia do Oprimido mas que ensinam as pessoas a lidar com computadores apenas como aperfeiçoamento profissional, sem revelar toda a dimensão cultural que envolve as novas tecnologias. Ou seja, formam apenas “manobristas de mouses” e não pessoas ligadas no mundo pós-moderno.

Outra boa possibilidade de uso do Alfa é sua interação com o programa Calibre, um sistema de código aberto que permite ao usuário organizar a biblioteca de livros digitais. Mais do que isso, o Calibre converte feeds de sites de notícias em epub, permitindo que você tenha em mãos uma espécie de jornal impresso saído da gráfica no último minuto. Baixei, por exemplo, todas as notícias do portal Viomundo e mandei para o Alfa. O Calibre organizou um índice por assunto e um sub-índice com as matérias de cada um dos temas. Basta clicar no link (a tela do Alfa é sensível ao toque) e você é direcionado para a notícia em que clicou. Terminada a leitura, um outro clique o leva de volta ao índice. A novidade foi tão bacana que consegui me manter lendo numa viagem de ônibus de oito horas, o que jamais conseguiria se estivesse com um livro impresso ou uma revista comum.

Agora, o momento é de estudar para dominar a criação de epub. Até porque baixei para o Alfa as publicações do Museu da Oralidade, como a primeira edição revista Ora!, lançada em pdf. Pelo formato alternativo da publicação, a leitura no e-reader até ficou bacana, mas poderia ser melhor. Os livros como O Reinado de Bené e Memórias Iluminadas, impressos em formato A5, já não caíram tão bem na tela. A chegada dos novos aparelhos de leitura vão exigir novos profissionais de criação ou a reciclagem dos que já existem. Vai exigir mais interesse de autores e editores. Vai exigir política pública e investimento do governo, uma vez que a novidade é de grande interesse público. E vai exigir mais leitores, para que a tecnologia ganhe mercado e se afirme. Estamos diante de mais um sinal dos novos tempos.

Efeito Che Guevara com Gimp e Inkscape

Já cansado das minhas fotos nas redes sociais, estava pensando em como inventar alguma coisa diferente. Coincidiu com isso o fato de há muito tempo tentar usar algum efeito gráfico para fazer uma imagem parecida com a famosa estampa das camisas do Che Guevara. Acabei descobrindo como se faz essa brincadeira e o resultado me agradou bastante. Seria sacanagem se tal efeito fosse criado em softwares proprietários, com certeza o libertário latinoamericano não ficaria muito satisfeito :) . Então vamos mostrar como criar um efeito desses usando apenas software livre. No meu caso, foi criado num computador com Linux Mint 10 Julia, Gimp e Inkscape.

Foto original, tirada pela webcam

Eu tinha feito a foto anterior com a camisa do Galo, a qual merece todas as homenagens. Acontece que, como sou muito esperto, salvei a imagem alterada por cima da original, tendo então que refazer a foto para escrever este tutorial. Infelizmente, a camisa do Galo não será homenageada desta vez. Enfim. O que interessa é que fiz a foto com a webcam do próprio computador, o que mostra que não é necessária uma foto de grande qualidade para compor o efeito. Dicas: escolha uma parede lisa ao fundo, evite ficar muito próxima a ela para não dar sombra e certifique-se de que a fonte de luz (que pode ser natural, vinda de uma janela, por exemplo) vem de um dos lados, para dar uma sombra razoável. Não precisa ser sombra demais, uma leve penumbra já dá pro gasto, como se vê na imagem acima.

Muito bem, salva a foto, vamos para a parte mais bacana: a edição. No Linux Mint, acesse o Gerenciador de Aplicativos no menu principal. Procure pelo pacote gimp-plugin-registry e instale-o. Este pacote disponibiliza uma série de efeitos no seu Gimp, entre eles o efeito Che Guevara, que usaremos aqui. Provavelmente, deve estar disponível também nos repositórios do Ubuntu. Feito isso, abrimos o Gimp e colocamos a mão na massa.

A foto já modificada no Gimp pelo efeito Che Guevara

O mais legal disso tudo é que o efeito é conseguido com alguns poucos cliques. Abra a foto que você salvou no Gimp. Vá ao menu Filtros, no submenu Artísticos e escolha a opção Che Guevara. Pronto. Automaticamente, o Gimp executa uma série de outros filtros que transformam sua foto na imagem estilo Che. A imagem é separada em quatro camadas: o fundo, com a foto original, que nem aparece; a camada color, com uma cor apenas, que pode ser alterada à vontade; uma camada shadow, que traz a sombra da imagem, e outra lines, que traz os contornos do desenho.

Imagem com algumas correções na sombra e camiseta

Nem sempre o filtro aplicado dará à imagem o aspecto ideal. Neste caso, tive de clarear a imagem usando a ferramenta Níveis, no menu Cores. Foram algumas tentativas até conseguir clarear a imagem de forma ideal, de modo que a sombra ocupasse a metade do rosto. A divisão em camadas também facilita correções na imagem. No meu caso, por exemplo, usei a ferramenta de pincel (acessível com a tecla P) para apagar o silk da camiseta que estava usando. Também optei por deixar o fundo branco, pois optei por dar um leve acabamento fora do Gimp, conforme explicarei no próximo passo. Assim, salvei a foto em JPG.

Em seguida, passei para o Inkscape. Diferentemente do Gimp, usado para correções em fotografias, o Inkscape é usado para desenhos vetoriais, como criação de logomarcas, por exemplo. Tenho mais facilidade com esse tipo de aplicação e entendo também que ele dá mais possibilidades criativas, por isso resolvi finalizar o trabalho nele. O trabalho foi bem simples. Apenas importei o arquivo no Inkscape (menu Arquivo / Importar) e depois, com a imagem selecionada, converti o bitmap em traços (menu Caminho / Rasterizar Bitmap). Quando abrir a janela da rasterização, escolha a opção tons de cinza e altere a caixa níveis para 2. Isso dá duas vantagens para trabalhar com a imagem: primeiro, suaviza os traços, dando uma cara de ilustração; segundo, permite que você utilize a imagem em qualquer tamanho sem perder a qualidade, pois o desenho é vetorial.

Imagem finalizada

Agora é só dar o toque final. Criei um fundo amarelo e botei a imagem em vermelho para fechar o trabalho. Adereços, letreiros, estrelas e tudo o mais ficam a critério do criador. O desenho vetorizado abre outras possibilidades. É possível, por exemplo, levar a figura a uma gráfica especializada em adesivos e pedir para plotarem a figura num plástico, criando um estêncil que pode ser usado para você estampar camisetas, literalmente, com a sua cara. Evidentemente que, para isso, alguns outros ajustes seriam necessários, mas isso pode ficar para uma próxima conversa.